Home Data de criação : 07/12/11 Última atualização : 11/10/17 11:17 / 80 Artigos publicados

Literatura Infantil

BRANCA DE NEVE - Irmãos Grimm  (Literatura Infantil) escrito em sábado 19 janeiro 2008 16:06

 

 

Existem muitas versões para o conto- de-fadas Branca de Neve, sendo que a mais conhecida foi coletada pelos Irmãos Grimm. A versão alemã apresenta elementos como o "espelho mágico" e os "sete anões". Em outras versões, os anões são geralmente substituídos por ladrões, enquanto que o diálogo com o espelho é feito com o sol ou a lua.

Os Irmãos Grimm, Jacob (1785 - 1863) e Wilhelm (1786 - 1859) foram dois alemães que se dedicaram ao registro de várias fábulas infantis como Branca de Neve, Cinderela, João e Maria, e Rapunzel entre outras, ganhando assim grande notoriedade.

Com os Irmãos Grimm surge uma literatura infantil capaz de encantar crianças de todo o mundo através de lendas e folclore conservados pelas próprias tradição oral e memória popular germânica; em suas pesquisas os irmãos depararam-se com a fantasia e o mundo mítico da era medieval.

Os contos dos Irmãos Grimm não são propriamente contos-de-fada, possuindo como principal característica um único núcleo dramático e a repetição ou reiteração dos fatos. Todos os contos dos Grimm pertencem à área das narrativas do fantástico-maravilhoso, por pertencerem ao mundo imaginário ou fantasia.

A primeira obra comum aos dois irmãos sobre o Hildebrandslied e o Wessobruner Gebet, foi publicada em 1812 e foi seguida da primeira coletânea, Contos da Criança e do Lar, publicada em dezembro do mesmo ano (Kinder und Hausmärchen), com tiragem de 900 exemplares. As obras comuns mais significativas de Jacob e Wilhelm Grimm são a Reunião de Contos para Crianças, a Coletânea de Lendas, assim como o Dicionário (dicionário histórico da língua alemã, que apresentaria cada palavra com sua origem, sua evolução, seus usos e sua significação, e que possui 32 volumes tendo o primeiro sido publicado em 1854 e o último em 1961, 123 anos depois, graças à várias gerações de germanistas que deram continuidade a esta obra).

Nos contos escritos pelos Irmãos Grimm, sempre há uma mensagem positiva que se pode tirar das aventuras dos heróis e do castigo dos vilões (as pessoas bondosas são premiadas e as maldosas castigadas); predomina a esperança e a confiança na vida, e os personagens lutam pelos seus ideais, na maioria de cunho humanitário. A ambigüidade da figura feminina fica bem explícita nas narrativas, e é ela que causa o bem (através da bondade e do amor) e também o mal (através da traição e astúcia), contudo a violência nunca aparece de forma clara.

De tão famosas, muitas das histórias dos Irmãos Grimm ganharam versões de outros autores. Cinderela (A gata borralheira), por exemplo, apresenta mais de 300 em todo o mundo!

Branca de Neve não é um texto de origem germânica, mas já estava incorporado à tradição oral germânica naquela época. Como em todos os contos de Grimm, o sentido humanitário está muito presente podendo-se citar como exemplos a sensibilidade do caçador em libertar Branca de Neve, além da recepção dos anões à bela moça; pode-se notar também a luta do bem contra o mal através do confronto entre Branca de Neve e a madrasta.

Branca de Neve (e os sete anões)ganhou em 1937 uma versão para o cinema, baseada no conto dos Grimm, lançada pela Walt Disney Pictures. O filme levou três anos para ser concluído e foi o primeiro longa-metragem de animação; Walt Disney, pelo seu trabalho como produtor de Branca de Neve e os Sete Anões, ganhou um Oscar Honorário que, na verdade, consistiu em uma estatueta em tamanho normal e outras sete miniaturas, representando os personagens principais do filme. Calcula-se que, desde sua estréia, em 24 de dezembro de 1937, Branca de Neve e os Sete Anões tebha sido visto por mais de 600 milhões de espectadores. Em 1987, foi relançado pela sétima vez, e, nessa ocasião, tornou-se o primeiro filme a ser exibido simultaneamente em mais de 60 países.

Abaixo um trecho de Branca de Neve, conto dos Irmãos Grimm:

 

"Um dia, a rainha de um reino bem distante bordava perto da janela do castelo, uma grande janela com batentes de ébano, uma madeira escuríssima. Era inverno e nevava muito forte.

A certa altura, a rainha desviou o olhar para admirar flocos de neve que dançavam no ar; mas com isso se distraiu e furou o dedo com a agulha.

Na neve que tinha caído no beiral da janela pingaram três gotinhas de sangue. O contraste foi tão lindo que a rainha murmurou:

- Pudesse eu ter uma menina branquinha como a neve, corada como sangue e com cabelos negros como ébano. Alguns meses depois, o desejo da rainha foi atendido.

Ela deu à luz uma menina de cabelos bem pretos, pele branca e face rosada. O nome dado à princesinha foi Branca de Neve.

Mas quando nasceu a menina a rainha morreu. Passado um ano, o rei se casou novamente. Sua esposa era lindíssima, mas muito vaidosa, invejosa e cruel.

Um certo feiticeiro lhe dera um espelho mágico, ao qual todos os dias ela perguntava com vaidade:

- Espelho, espelho meu, diga-me se há no mundo mulher mais bela do que eu.

E o espelho respondia:

- Em todo o mundo, minha querida rainha, não existe beleza maior.

O tempo passou. Branca de Neve cresceu, a cada ano mais linda...

E um dia o espelho deu outra resposta à rainha.

- A sua enteada, Branca de Neve, é agora a mais bela.

Invejosa e ciumenta, a rainha chamou um de seus guardas e lhe ordenou que levasse a enteada para a mata e lá a matasse. E que trouxesse o coração de Branca de Neve, como prova de que a missão fora cumprida.

O guarda obedeceu. Mas, quando chegou à mata, não teve coragem de enfiar a faca naquela lindíssima jovem inocente que, afinal, nunca fizera mal a ninguém. Deixou-a fugir.

Para enganar a rainha, matou um veadinho, tirou o coração e entregou-o a ela, que quase explodiu de alegria e satisfação.

Enquanto isso, Branca de Neve fugia, penetrando cada vez mais na mata, ansiosa por se distanciar da madrasta e da morte."

 

 


Preço (pesquisado em 18/01/08):

  • de R$ 1,00 (coleção fábulas de ouro, editora Todolivro) à R$ 39,90 (coleção divertido mundo mágico, em 3D, editora ciranda cultural): www.livrariasaraiva.com.br;
  • de R$ 15,40 à R$ 22,00 (coleção histórias com quebra-cabeças, editora melhoramentos): www.buscape.com.br;
  • de R$ 12,60 à R$ 18,00 (coleção princesas encantadas – Disney, editora melhoramentos): www.buscape.com.br;
  • de R$ 6,23 a R$ 10,00 (coleção séries clássicos II, editora Leitura): www.buscape.com.br.

   


  • Para saber mais sobre os irmãos Grimm:

http://www.graudez.com.br/litinf/autores/grimm/grimm.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Irm%C3%A3os_Grimm

http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/cinema/dossier/cinderela/grimm_biografia.htm

http://cienciahoje.uol.com.br/916

http://volobuef.tripod.com/page_maerchen_grimm_obras.htm

 

  • Para saber mais sobre o conto Branca de neve:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Branca_de_Neve

http://www.webcine.com.br/filmessc/brancane.htm

http://www.contandohistoria.com/brancadeneve.htm

 

  • Para saber mais sobre o filme Branca de neve e os sete anões:

http://jc.uol.com.br/2007/12/24/not_157322.php

http://www.lite.fae.unicamp.br/revista/bruzzo.html

http://lazer.hsw.uol.com.br/filme-princesa-disney2.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Snow_White_and_the_Seven_Dwarfs

 

 

 

  • Nota: O vídeo presente neste artigo contém cenas do filme Branca de Neve e os Sete Anões, lançado pela Disney em 1937.

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O PEQUENO PRÍNCIPE - Saint-Exupéry  (Literatura Infantil) escrito em sábado 12 janeiro 2008 18:47

 

 

Escrito pelo autor, jornalista e piloto francês Antoine de Saint-Exupéry e publicado pela primeira vez em 1943 nos Estados Unidos (um ano antes de sua morte), O Pequeno Príncipe tornou-se não apenas a obra mais conhecida do escritor, mas, um clássico da literatura francesa e infanto-juvenil mundial, sendo o livro francês mais vendido no mundo (já foram vendidos mais de 80 milhões de exemplares em aproximadamente 400 - 500 edições). Desde que é editado no Brasil, há cerca de 50anos, o livro já vendeu mais de 6 milhões de exemplares.

É a segunda obra literária que mais ganhou traduções em todo o mundo (sendo que a primeira é a Bíblia), tendo sido publicado em 160 línguas ou dialetos, incluindo o aranês*, o amazigh* e o xhosa*.

Para quem observa apenas a capa o livro passa a impressão de ser mais uma história simples escrita para entreter os “baixinhos”, porém O Pequeno Príncipe é muito mais que isto.

A história que conta o encontro inesperado entre um aviador e seu avião que sofre uma pane do deserto do Saara durante a Segunda Guerra, com um príncipe que veio de outro planeta é na verdade um livro profundo, intenso, filosófico e poético sem igual, escrito de forma enigmática e metafórica.

Durante a narrativa, o autor vai elaborando sua visão de mundo. Saint-Exupéry mergulha no próprio inconsciente e reencontra "a criança que existe em cada um de nós".

Inúmeras vezes o livro foi adaptado para versões em filmes, desenhos animados e histórias para serem ouvidas; o principal personagem do livro (um jovem sonhador de cabelos louros e cachecol vermelho) ganhou um museu no Japão.

Abaixo o capítulo I desta grande obra:

 

“Certa vez, quando tinha seis anos, vi num livro sobre a Floresta Virgem, "Histórias Vividas", uma imponente gravura. Representava ela uma jibóia que engolia uma fera. Eis a cópia do desenho.

Dizia o livro: "As jibóias engolem, sem mastigar, a presa inteira. Em seguida, não podem mover-se e dormem os seis meses da digestão."

Refleti muito então sobre as aventuras da selva, e fiz, com lápis de cor, o meu primeiro desenho. Meu desenho número 1 era assim:

Mostrei minha obra prima às pessoas grandes e perguntei se o meu desenho lhes fazia medo.

Respondera-me: "Por que é que um chapéu faria medo?"

Meu desenho não representava um chapéu. Representava uma jibóia digerindo um elefante. Desenhei então o interior da jibóia, a fim de que as pessoas grandes pudessem compreender. Elas têm sempre necessidade de explicações. Meu desenho número 2 era assim:

As pessoas grandes aconselharam-me deixar de lado os desenhos de jibóias abertas ou fechadas, e dedicar-me de preferência à geografia, à história, ao cálculo, à gramática. Foi assim que abandonei, aos seis anos, uma esplêndida carreira de pintor. Eu fora desencorajado pelo insucesso do meu desenho número 1 e do meu desenho número 2. As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas, e é cansativo, para as crianças, estar toda hora explicando.Tive pois de escolher uma outra profissão e aprendi a pilotar aviões. Voei, por assim dizer, por todo o mundo. E a geografia, é claro, me serviu muito. Sabia distinguir, num relance, a China e o Arizona. É muito útil, quando se está perdido na noite.

Tive assim, no decorrer da vida, muitos contatos com muita gente séria. Vivi muito no meio das pessoas grandes. Vi-as muito de perto. Isso não melhorou, de modo algum, a minha antiga opinião.

Quando encontrava uma que me parecia um pouco lúcida, fazia com ela a experiência do meu desenho número 1, que sempre conservei comigo. Eu queria saber se ela era verdadeiramente compreensiva. Mas respondia sempre: "É um chapéu". Então eu não lhe falava nem de jibóias, nem de florestas virgens, nem de estrelas. Punha-me ao seu alcance. Falava-lhe de bridge, de golfe, de política, de gravatas. E a pessoa grande ficava encantada de conhecer um homem tão razoável.”

 

Preço (pesquisado em 11/01/08):

 


  • Para saber mais sobre Antoine de Saint-Exupéry:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Antoine_de_Saint-Exup%C3%A9ry http://www.paralerepensar.com.br/exupery.htm   

  • Para ler o livro em versão ebook:

http://www.mayrink.g12.br/pp/Cap00.htm http://home.kc.rr.com/slyon/por.html

  • Notas:

1) Dicionário:

*Aranês: dialeto praticado no Vale de Aran, variante do dialeto gascão;

*Amazigh: língua berbere (os berberes são um conjunto de povos que habitam o Norte da África);

*Xhosa: língua praticada na África do Sul, principalmente nas províncias de Cabo e sul do KwaZulu-Natal, Lesoto e Botswana.

 

2) O vídeo presente neste artigo traz a conversa entre o principezinho e a raposa, um dos trechos mais bonitos do livro que corresponde ao capítulo XXI, onde se encontram as célebres frases: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas" e "O essencial é invisível aos olhos"


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AS CRÔNICAS DE NÁRNIA: O leão, a feiticeira e o guarda-roupa - C. S. Lewis  (Literatura Infantil) escrito em sábado 22 dezembro 2007 19:18

 

 

As crônicas de Nárnia, do irlandês C. S. Lewis conta as histórias de uma terra fictícia chamada Nárnia onde animais e criaturas mitológicas ganham fala.

Nestas histórias o bem combate o mal, contendo vários temas cristãos; o personagem mais importante da série, sendo o único a aparecer em todos os livros, e de acordo com a interpretação dos cristãos ele representaria Jesus Cristo. As Crônicas de Nárnia não é simplesmente um livro de inocentes histórias infantis, mas de uma forte catequese subliminar.

As crônicas de Nárnia compõem-se de sete livros, cuja ordem cronológica seria: O sobrinho do Mago (1955); O leão, a feiticeira e o guarda-roupa (1950); O cavalo e seu menino (1954); O Príncipe Caspian (1951); A viagem do peregrino Alvorada (1952); A cadeira de prata (1953); e A última Batalha (1956).

Os livros da série já ganharam adaptações para o rádio, a televisão e recentemente o segundo publicado (O leão, a feiticeira e o guarda-roupa), para o cinema. O resultado dessa adaptação para o cinema é uma experiência maravilhosa, praticamente não sofrendo alterações.

As crônicas de Nárnia: O leão, a feiticeira e o guarda-roupa, conta as aventuras de Lúcia, Edmundo, Pedro e Susana que enviados para Londres durante a II Guerra Mundial descobrem um portal  mágico escondido dentro de um guarda-roupa que os leva diretamente par ao mundo de Nárniam, local que esconde uma profecia, a que duas "Filhas de Eva" e dois "Filhos de Adão" virão para enfrentar, ao lado do majesto Leão Aslam, a Feiticeira Branca e retomar a beleza e a liberdade de Nárnia.

Abaixo um trecho do livro As crônicas de Nárnia: O Leão, A Feiticeira e O Guarda-roupa:

 

Capítulo I – Uma estranha descoberta

 

"Era uma vez duas meninas e dois meninos: Susana, Lúcia, Pedro e Edmundo. Esta história nos conta algo que lhes aconteceu durante a guerra, quando tiveram de sair de Londres, por causa dos ataques aéreos. Foram os quatro levados para a casa de um velho professor, em pleno campo, a quinze quilômetros de distância da estrada de ferro e a mais de três quilômetros da agência de correios mais próxima.

O professor era solteiro e morava numa casa muito grande, com D. Marta, a governanta, e três criadas, Eva, Margarida e Isabel, que não aparecem muito na história.

O professor era um velho de cabelo desgrenhado e branco, que lhe encobria a maior parte do rosto, além da cabeça.

As crianças gostaram dele quase imediatamente. Mas, na primeira noite, quando ele veio recebê-las, na porta principal, tinha uma aparência tão estranha, que Lúcia, a mais novinha, teve medo dele, e Edmundo (que era o segundo mais novo) quase começou a rir e, para disfarçar, teve de fingir que estava assoando o nariz.

Naquela noite, depois de se despedirem do professor, os meninos foram para o quarto das meninas, onde trocaram impressões:

- Tudo perfeito - disse Pedro. - Vai ser formidável. O velhinho deixa a gente fazer o que quiser.

- É bem simpático - disse Susana.

- Acabem com isso! - falou Edmundo, com muito sono, mas fingindo que não, o que o tornava sempre mal-humorado. - Não fiquem falando desse jeito!

- Que jeito? - perguntou Susana. - Além do mais, já era hora de você estar dormindo.

- Querendo falar feito mamãe - disse Edmundo. - Que direito você tem de me mandar dormir? Vá dormir você, se quiser.

- É melhor irmos todos para a cama - disse Lúcia. - Vai haver confusão, se ouvirem a nossa conversa.

- Não vai, não - disse Pedro. - Este é o tipo de casa em que a gente pode fazer o que quer. E, além do mais, ninguém está nos ouvindo. É preciso andar quase dez minutos daqui até a sala de jantar, e há uma porção de escadas e corredores pelo caminho.

- Que barulho é esse? - perguntou Lúcia de repente.

Era a maior casa que ela já tinha visto. A idéia de corredores compridos e fileiras de portas que vão dar em salas vazias começava agora a lhe dar arrepios.

- Foi um passarinho, sua boba - disse Edmundo.

- Foi uma coruja - disse Pedro. - Este lugar deve ser uma beleza para passarinhos. E agora pra cama! Amanhã vamos explorar tudo. Repararam nas montanhas do caminho? E os bosques? Aqui deve ter águia. Até veado. E falcão, com certeza.

- E raposas! - disse Edmundo.

- E coelhos! - disse Susana.

Mas, quando amanheceu, caía uma chuva enjoada, tão grossa que, da janela, quase não se viam as montanhas, nem os bosques, nem sequer o riacho do quintal.

- Tinha certeza de que ia chover! - disse Edmundo.

Haviam acabado de tomar café com o professor e estavam na sala que lhes fora destinada, um aposento grande e sombrio, com quatro janelas.

- Não fique reclamando e resmungando o tempo todo - disse Susana para Edmundo. - Aposto que, daqui a uma hora, o tempo melhora. Enquanto isso, temos um rádio e livros à vontade.

- Isso não me interessa - disse Pedro. - Vou é explorar a casa.

Todos concordaram, e foi assim que começaram as aventuras. Era o tipo da casa que parece não ter fim, cheia de lugares surpreendentes. As primeiras portas que entreabriram davam para quartos desabitados, como aliás já esperavam. Mas não demoraram a encontrar um salão cheio de quadros, onde também acharam uma coleção de armaduras. Havia a seguir uma sala forrada de verde, com uma harpa encostada a um canto. Depois de terem descido três degraus e subido cinco, chegaram a um pequeno saguão com uma porta, que dava para uma varanda, e ainda para uma série de salas, todas cobertas de livros de alto a baixo. Os livros eram quase todos muito antigos e enormes.

Pouco depois, espiavam uma sala onde só existia um imenso guarda-roupa, daqueles que têm um espelho na porta. Nada mais na sala, a não ser uma mosca morta no peitoril da janela.

- Aqui não tem nada! - disse Pedro, e saíram todos da sala.

Todos menos Lúcia. Para ela, valia a pena tentar abrir a porta do guarda-roupa, mesmo tendo quase certeza de que estava fechada à chave. Ficou assim muito admirada ao ver que se abriu facilmente, deixando cair duas bolinhas de naftalina.

Lá dentro viu dependurados compridos casacos de peles. Lúcia gostava muito do cheiro e do contato das peles. Pulou para dentro e se meteu entre os casacos, deixando que eles lhe afagassem o rosto. Não fechou a porta, naturalmente: sabia muito bem que seria uma tolice fechar-se dentro de um guarda-roupa. Foi avançando cada vez mais e descobriu que havia uma segunda fila de casacos pendurada atrás da primeira. Ali já estava meio escuro, e ela estendia os braços, para não bater com a cara no fundo do móvel. Deu mais uns passos, esperando sempre tocar no fundo com as pontas dos dedos. Mas nada encontrava.

“Deve ser um guarda-roupa colossal!”, pensou Lúcia, avançando ainda mais. De repente notou que estava pisando qualquer coisa que se desfazia debaixo de seus pés. Seriam outras bolinhas de naftalina? Abaixou-se para examinar com as mãos. Em vez de achar o fundo liso e duro do guarda-roupa, encontrou uma coisa macia e fria, que se esfarelava nos dedos. “É muito estranho”, pensou, e deu mais um ou dois passos.

O que agora lhe roçava o rosto e as mãos não eram mais as peles macias, mas algo duro, áspero e que espetava.

- Ora essa! Parecem ramos de árvores!

Só então viu que havia uma luz em frente, não a dois palmos do nariz, onde deveria estar o fundo do guarda-roupa, mas lá longe. Caía-lhe em cima uma coisa leve e macia. Um minuto depois, percebeu que estava num bosque, à noite, e que havia neve sob os seus pés, enquanto outros flocos tombavam do ar.

Sentiu-se um pouco assustada, mas, ao mesmo tempo, excitada e cheia de curiosidade. Olhando para trás, lá no fundo, por entre os troncos sombrios das árvores, viu ainda a porta aberta do guarda-roupa e também distinguiu a sala vazia de onde havia saído. Naturalmente, deixara a porta aberta, porque bem sabia que é uma estupidez uma pessoa fechar-se num guarda-roupa. Lá longe ainda parecia divisar a luz do dia.

- Se alguma coisa não correr bem, posso perfeitamente voltar.

E ela começou a avançar devagar sobre a neve, na direção da luz distante.

Dez minutos depois, chegou lá e viu que se tratava de um lampião. O que estaria fazendo um lampião no meio de um bosque? Lúcia pensava no que deveria fazer, quando ouviu uns pulinhos ligeiros e leves que vinham na sua direção. De repente, à luz do lampião, surgiu um tipo muito estranho.

Era um pouquinho mais alto do que Lúcia e levava uma sombrinha branca. Da cintura para cima parecia um homem, mas as pernas eram de bode (com pêlos pretos e acetinados) e, em vez de pés, tinha cascos de bode. Tinha também cauda, mas a princípio Lúcia não notou, pois ela descansava elegantemente sobre o braço que segurava a sombrinha, para não se arrastar pela neve.

Trazia um cachecol vermelho de lã enrolado no pescoço. Sua pele também era meio avermelhada. A cara era estranha, mas simpática, com uma barbicha pontuda e cabelos frisados, de onde lhe saíam dois chifres, um de cada lado da testa. Na outra mão carregava vários embrulhos de papel pardo. Com todos aqueles pacotes e coberto de neve, parecia que acabava de fazer suas compras de Natal.

Era um fauno. Quando viu Lúcia, ficou tão espantado que deixou cair os embrulhos.

- Ora bolas! - exclamou o fauno."

 

 

Embora As crônicas de Nárnia façam parte da literatura infantil muitos adultos deleitam-se com elas; sem dúvida é uma dica de um grande presente para este natal.

  • Preço de As crônicas de Nárnia – O leão, a feiticeira e o guarda-roupa (pesquisado em 22/12/07):

1) R$ 25,20 – R$ 33,60 (www.buscape.com.br);

2) R$ 33,60 (www.livrariasaraiva.com.br)

  • Preço de As crônicas de Nárnia – volume único (pesquisado em 22/12/07):

1) R$ 56,70 (www.livrariasaraiva.com.br);

2) R$ 56,70 – R$ 88,70 (www.jacotei.com.br).

 


  • Para saber mais sobre As crônicas de Nárnia:

http://pt.wikipedia.org/wiki/As_Cr%C3%B4nicas_de_N%C3%A1rnia

http://www.burburinho.com/20020725.html

 

 

  • Nota: O vídeo presente neste artigo traz o trailler do filme As crônicas de Nárnia – O leão, a feiticeira e o guarda-roupa.

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O BURRO JUIZ (FÁBULAS) - Monteiro Lobato  (Literatura Infantil) escrito em sábado 15 dezembro 2007 20:19

 

 

Figura maior da literatura infantil brasileira, Monteiro Lobato (1882 – 1948) escreveu obras de grande imaginação que se tornaram populares entre o público de todas as idades, fazendo a alegria de todos. Grande nacionalista preocupava-se com os problemas do país e o futuro deste tendo escrito além de ficção e várias outras sobre questões sociais, econômicas e políticas como Choque das Raças e Urupês.

Valendo-se de uma linguagem simples onde realidade e fantasia fundem-se, tornou-se o precursor da literatura infantil no Brasil. Sua obra mais famosa, Sítio do Pica Pau Amarelo, mostra um universo mágico em que os problemas do Brasil são tratados de forma metafórica ganhando uma versão para a televisão na década de 1970 que encanta crianças até hoje. È nesse cenário que se desenvolve grande parte da obra infantil de Lobato, tendo Emília, Visconde de Sabugosa, Dona Benta, Tia Nastácia, Pedrinho, Narizinho, Saci e Cuca como personagens principais.

Entre 1925 e 1950, Monteiro Lobato vendeu cerca de 1,5 milhão de exemplares de seus livros. Grande parte de sua obra resulta da reunião de textos e artigos para jornais e revistas.

Em Fábulas (1922), Monteiro Lobato reescreve as velhas fábulas de Esopo e La Fontaine, mas de modo comentado e crítico Um livro encantador, em que o gênio dos velhos fabulistas é singularmente realçado pelos diálogos entre os meninos, que a inventiva de Monteiro Lobato vai criando com a maior agudeza e frescura.

Abaixo uma das fábulas que faz parte desta coletânea, O Burro Juiz:

 

"Disputava a gralha com o sabiá, afirmando que a sua voz valia a dele. Como as outras aves rissem daquela pretensão, a bulhenta matraca de penas, furiosa, disse:Nada de brincadeiras. Isto é uma questão muito séria, que deve ser decidida por um juiz. Canta o sabiá, canto eu, e a sentença do julgador decidirá quem é o melhor artista. Topam?

- Topamos! piaram as aves. Mas quem servirá de juiz?

Estavam a debater este ponto, quando zurrou um burro.- Nem de encomenda! exclamou a gralha. Está lá um juiz de primeiríssima para julgamento de música, pois nenhum animal possui maiores orelhas. Convidê-mo-lo.Aceitou o burro o juizado e veio postar-se no centro da roda.

-  Vamos lá, comecem! ordenou ele.

O sabiá deu um pulinho, abriu o bico e cantou. Cantou como só cantam sabiás, garganteando os trinos mais melodiosos e límpidos. Uma pura maravilha, que deixou mergulhado em êxtase o auditório em peso.- Agora eu! disse a gralha, dando um passo à frente.E abrindo a bicanca matraqueou uma grita de romper os ouvidos aos próprios surdos.Terminada a justa, o meritíssimo juiz deu a sentença:

- Dou ganho de causa à excelentíssima senhora dona Gralha, porque canta muito mais forte que mestre sabiá.

  

Moral da História: Quem burro nasce,  togado ou não, burro morre. “

 


Preço de Fábulas(pesquisado em 15/12/2007):    


  • Para saber mais sobre a obra de Monteiro Lobato:

http://www.resumosdelivros.com.br/m/monteiro-lobato/

http://www.suapesquisa.com/biografias/monteirolobato/

http://www.infoescola.com/literatura/monteiro-lobato/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Monteiro_lobato

http://almanaque.folha.uol.com.br/monteirolobato.htm 

 

 

  •  O vídeo exibido neste artigo mostra cenas do episódio O Casamento de Emília do Sítio do Pica Pau Amarelo exibido em 1977, pela Rede Globo.

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