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Clássicos da Literatura Mundial

DOM QUIXOTE DE LA MANCHA - Cervantes  (Clássicos da Literatura Mundial) escrito em terça 04 março 2008 21:56

 

 

A história de Dom Quixote de La Mancha, escrita por Miguel de Cervantes y Saavedra (1547 - 1616), encanta a todos há mais de quatro séculos; considerado o melhor livro de ficção de todos os tempos em 2002, por uma comissão de críticos de todo o mundo e um dos livros mais traduzidos da literatura mundial.

Considerado o Shakespeare dos espanhóis, Cervantes escreveu aquilo que para os historiadores é um documento histórico precioso; o livro conta os feitos do Cavaleiro da Triste Figura em ritmo de romances da cavalaria, Cervantes enervado com o sucesso desse tipo de gênero literário junto ao grande público, propondo-se a ridicularizá-los, realizou uma das maiores sátiras aos preceitos que regiam as histórias fantasiosas daqueles heróis de fancaria*.

Dom Quixote de La Mancha, a maravilha literária de Cervantes, narrado na mais fina prosa castelhana, é composta de 126 capítulos de sabedoria, amizade, enternecimento, encantamentos, loucuras e divertimento, divididos em duas partes: a primeira surgida em 1605 (tipicamente barroca, deixa a impressão de liberdade máxima) e a outra em 1615 (produz a sensação constante de encontrarmo-nos encerrados em limites estreitos). Cervantes comparou a vida de soldado, que ele foi, com a de escritor, que ele terminou sendo, concluindo que aquele ofício só lhe dera dor de cabeça, vigílias, vazios de fome e padecimentos mil.

O personagem principal da obra é um pequeno fidalgo castelhano (Dom Quixote) que perdeu a razão pela leitura assídua dos romances de cavalaria e pretende imitar seus heróis prediletos, mas que acaba envolvendo-se em uma série de aventuras, juntamente com seu fiel amigo e companheiro, Sancho Pança, (que tem um perfil mais realista); porém, Dom Quixote tem suas fantasias sempre desmentidas pela dura realidade; isto acaba dando ao livro um tom altamente humorístico.

Montado em seu fiel Rocinante e acompanhado de Sancho, o Cavaleiro promove sucessos e combate agravos, ampara donzelas e endireita tortos. E embora a vida de cavaleiro andante seja dura, não lhe faltam momentos doces ao recordar-se de sua amada, a sem-par Dulcinéia Del Toboso, flor e espelho do gênero dantesco.

Dom Quixote e Sancho Pança representam valores distintos, embora sejam participantes do mesmo mundo, e rapidamente conquistaram, juntamente com a figura do cavalo Rocinante, a imaginação popular.

Dom Quixote é uma obra prima, fruto de uma imaginação sem igual, capaz de envolver os leitores por um grande período de tempo e permanecer para sempre em seus corações.

Abaixo um trecho de Dom Quixote de La Mancha, o soneto escrito por Dom Belianis de Grécia a Dom Quixote de La Mancha:

 

“Rompi, cortei, amolguei, fiz e refiz

Mais que no orbe cavaleiro andante;

Fui destro, valente, arrogante;

Mil agravos vinguei, cem mil desfiz.

Façanhas dei a Fama que eternize;

Comedido e regalado amante;

Foi anão para mim todo gigante

E ao duelo em qualquer ponto satisfiz.

Tive a meus pés prostrada a Fortuna,

E trouxe do copete* minha cordura*

À calva Ocasião ao estricote

Mas, ainda sobre os cornos da lua

Sempre se viu no cume minha ventura,

Tuas proezas invejo, ó Dom Quixote!”

Preço (pesquisado em 04/03/08):

  Para saber mais sobre o livro Dom Quixote De La Mancha:


http://educaterra.terra.com.br/voltaire/cultura/2002/05/17/000.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Dom_Quixote

http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/sub.php?op=resumos/docs/quixote2

http://www.distincards.com/sendcard/pages/pt/collection.php?collection_id=4

http://cienciaecultura.bvs.br/pdf/cic/v56n4/a18v56n4.pdf

http://www.espacoacademico.com.br/053/53lopes.htm

http://www.desfolhar.com/desfolhar02/artigos.html

  

  • Para saber mais sobre Cervantes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Miguel_de_Cervantes_y_Saavedra

  

  • Para ler um dos trechos de Dom Quixote de La Mancha:

http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT457118-1655,00.html

  

  • Para ler Dom Quixote de La Mancha (versão eletrônica completa)*:

http://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&id=5rwGAAAAQAAJ&dq=dom+quixote+de+la+mancha&printsec=frontcover&source=web&ots=cBT60-qfVw&sig=_oRoAGSqW27lHzBOLKcrzXhcAHI#PPA300,M1

 

  • Para ler o livro Dom Quixote De La Mancha em versão eletrônica (em espanhol):

http://www.elquijote.com/online.php

http://www.donquijotedelamancha2005.com/descarga.php

http://www.el-mundo.es/quijote

  

  • Para ouvir o livro Dom Quixote de La Mancha em MP3 (em espanhol):

http://www.educaragon.org/arboles/arbol.asp?guiaeducativa=41&strseccion=A1A68

  


Notas:

  • Dicionário:

* Fancaria – comércio dos fanqueiros (comerciante das fazendas de algodão, linho, lã, etc);

*Copete – corte de cabelo usado pelos cavalheiros do século XVII, para alargar o rosto;

* Ao estricote – aos maus-tratos;

* Cordura – sensatez; gravidade.

 

  • A versão eletrônica do livro, em português, traz alguns erros ortográficos, ainda assim vale a pena conferir.

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O VERMELHO E O NEGRO- Stendhal  (Clássicos da Literatura Mundial) escrito em terça 22 janeiro 2008 22:16

Blog de cantinhodaliteratura :Cantinho Da Literatura 2009, O VERMELHO E O NEGRO- Stendhal

 

 

Stendhal* (1783 – 1842), é um dos maiores romancistas do século XIX. Contudo este reconhecimento somente décadas após sua morte; no início de sua carreira, seus romances foram recebidos com frieza, exceto por Balzac e Baudelaire. Seu estilo, ao contrário do excesso de ornamentos, valoriza o perfil psicológico dos personagens, a interpretação de seus atos, sentimentos e paixões, fato que influencia toda a literatura francesa posterior.

O romance O vermelho e o Negro (1830), sua obra prima, é um marco dentro da arte de escrever e do romance, além de retratar como ninguém as complexas relações sociais da França do período da Restauração napoleônica.

Inspirado em fatos reais (um escândalo entre famílias de destaque da burguesia francesa, caso publicado em 1827 na Gazeta dos Tribunais: o processo de condenação de Antoine Barthet), O vermelho e o negro rompe com uma tradição do romantismo, introduzindo o realismo no romance francês; tem como herói Julien Sorel (anti-herói romântico por excelência), aspirante a padre e que é um jovem ambicioso e sem escrúpulos, que é tido como um dos personagens literários mais fascinates de todos os tempos.

A desenvoltura do estilo e a originalidade desse romance tirado de uma notícia de jornal devem-se àquilo que o seu autor tem de mais original: ele mesmo.

O vermelho e o negro é uma crônica no sentido mais profundo da palavra.

Há quem veja a explicação para o título da obra como uma dúvida da sociedade francesa da época, dividida entre os sonhos bonapartistas e derrocados em 1815 na batalha de Waterloo, e os clérigos que parecem ser os únicos a resistir apesar do nepotismo e dos dogmas sempre ultrapassados.

O vermelho representaria o exército que mesmo vindo de derrota ainda despertava a inveja e a ambição. O negro, então, faria neste contexto uma alusão à vestimenta do clero, sendo, portanto, uma referência aos poderes eclesiásticos. Assim se deduziria, a meu ver de forma muito restritiva, que o livro trata da dúvida latente que divide o protagonista Julien: tornar-se um general ou um bispo.

Abaixo um trecho do capítulo VUma transação – de O vermelho e o negro:

 

 

Capítulo V  Uma transação

Cunctando restituit rem*

Ennius  

 

- Responde-me sem mentir, se te é possível, cão do inferno, de onde conheces Srª de Renal? Quando falaste com ela?

- Nunca falei com ela respondeu Julien. – Nunca vi esta senhora a não ser na igreja.

- Mas olhaste para ela, descarado ruim?- Nunca! O senhor sabe que só vejo a Deus, na igreja – acrescentou Julien com um arzinho hipócrita, muito próprio. Segundo ele, para afastar cachações.

- Entretanto há alguma coisa em tudo isso replicou o aldeão, maligno, calando-se, a seguir, por um instante. – Mas por teu intermédio jamais saberei nada, maldito hipócrita. Por sorte vou ficar livre de ti e a serraria só poderá melhorar com isso. Tu seduziste o cura ou outro qualquer, que te arranjou um bom lugar. Vai fazer a frouxa e eu vou te levar á casa do Sr. de Renal, onde serás preceptor das crianças.

- Que é que eu vou ganhar?

- Roupa, comida e 300 francos de salário.

- Não quero ser criado.

- Animal, quem é que está dizendo que vai ser criado? Então eu deixaria que o meu filho fosse criado?

- Mas com quem é que eu vou comer?

Essa pergunta desconcertou o velho Sorel. Sentiu que, se falasse, podia cometer alguma imprudência. Agastou-se com Julien, a quem cobriu de injúrias, acusando-o de glutão, e deixou-o para ir consultar os outros filhos.

Julien viu-os logo depois, cada um apoiado no seu machado, a entreter conselho. Depois de havê-los olhado longamente, vendo que nada podia adivinhar, Julien foi postar-se do outro lado da serraria, a fim de evitar ser surpreendido. Queria pensar naquela notícia imprevista que lhe mudava a sorte, mas sentiu-se incapaz de prudência; toda a sua imaginação se entregava a prefigurar o que iria ver na bela casa do Sr. de Renal.

Mais vale renunciar a tudo isso, pensou, do que ficar reduzido e comer com os criados. Meu pai há de querer forçar-me; antes a morte. Tenho 15 francos e 8 sous* de economia: vou fugir de noite. Em dois dias, por atalhos onde não há perigo de qualquer gendarme, estarei em Besançon. Ali sento na praça e, se for preciso, passo para a Suíça. Mas, então, adeus ordenado, e adeus batina, que nos leva a tudo.

Esse horror de comer com os criados não era tão natural em Julien; para alcançar fortuna, ele teria feito coisas muitíssimo mais penosas. Contraíra essa repugnância nas Confissões de Rousseau. Era o único livro com o auxílio do qual ele imaginava a sociedade. A coletânea dos boletins do Grande Exército e o Memorial de Santa Helena completavam o seu Corão. Deixaria matar-se por essas três obras. Nunca acreditara em outras. De acordo com uma frase do velho cirurgião-mor, ele encarava todos os outros livros do mundo como mentirosos e escritos por velhacos que visavam a lucros...”

  


Preço (pesquisado em 22/01/08):


 

  • Para saber mais sobre O vermelho e o negro:

http://www.netsaber.com.br/resumos/ver_resumo.php?c=2855

http://www.algosobre.com.br/resumos-literarios/o-vermelho-e-o-negro.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/O_vermelho_e_o_Negro

http://recantodasletras.uol.com.br/resenhasdelivros/183993

http://www.estacaoliberdade.com.br/clip/jbarmance.htm

http://www.geocities.com/slprometheus/html/mp7.htm

  

  • Dicionário:

*Stendhal era o pseudônimo mais célebre de Marie-Henri Beyle.

*Cunctando restituit rem – Contemporizando, reergueu a república.

*Sou - antiga moeda francesa equivalente a um vigésimo de franco.


 

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CRIME E CASTIGO - Dostoievski  (Clássicos da Literatura Mundial) escrito em quarta 16 janeiro 2008 00:02

 

 

Maior romance do escritor russo Fiódor Mikháilovitch Dostoievski (1821 – 1881) publicado em 1866, Crime e Castigo é um clássico universal que baseia-se numa visão sobre religião e existencialismo como um foco predominante no tema de atingir salvação por sofrimento, sem deixar de comentar algumas questões do socialismo e niilismo.

O livro narra a história de um assassinato cometido por um jovem estudante, pobre e desesperado. Este ato desencadeia uma narrativa labiríntica que arrasta o leitor por becos, tabernas e pequenos cômodos, povoados de personagens que lutam para preservar sua dignidade contra as várias formas da tirania.

Na obra de Dostoievski, Raskolnikof, o assassino, fica corroído durante dois anos por sentimentos de culpa de seu ato e dramas psicológicos, sendo incapaz de continuar sua vida após o crime até resolver entregar-se às autoridades, confessando o crime.

Dostoievski foi ex-presidiário e é em Crime e Castigo que escreveu a frase "É possível julgar o grau de civilização de uma sociedade visitando suas prisões".

Leia abaixo um trecho do primeiro capítulo da I parte de Crime e Castigo: 

  

“...Assim que eles saíram ficou tudo em silêncio e sossego. Restou um só bebedor, que não estava ainda completamente bêbado, de aspecto burguês sentado diante dum copo de cerveja; ficou também o seu gordo companheiro, enorme, de jaqueta comprida e barba grisalha, muito embriagado, meio adormecido, num banco e que de vez em quando, de repente, como se despertasse, se punha a bater castanholas com os dedos, esticando os braços e erguendo o peito, sem se levantar do banco, depois do que cantarolava um copla, esforçando-se por recordar versinhos como estes: 

 

 Acariciando-a durante o ano,

Acarici... ando-a durante o ano. 

 

Ou, então, quando tinha um pouco mais de lucidez: 

 

Quando atravessei a Podiatchiévskaia;

Encontrei a minha amada...  

 

Mas ninguém o acompanhava; o companheiro, silencioso, cada vez que ele parecia despertar mirava-o com olhos hostis e desconfiados. Havia ainda outro tipo, com o aspecto de funcionário aposentado. Estava sentado sozinho, com um copo na frente, e de vez em quando bebia e olhava à volta. Parecia também muito excitado.” 

 

Em 1998 o livro foi adaptado para o cinema (Crime and Punishment), com direção de Joseph Sargent; o filme brasileiro Nina, dirigido por Heitor Dhalia, protagonizado por atores como Guta Stresser, Wagner Moura, Lázaro Ramos e Matheus Nachtergaele e com roteiro de  Marçal Aquino e Heitor Dhalia.

 

Preço (pesquisado em 15/01/08):

 


  • Para saber mais sobre Crime e Castigo:

http://pt.shvoong.com/books/3259-crime-castigo/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Crime_e_Castigo

http://www.sobresites.com/alexcastro/artigos/dostoievski.htm

http://www.carreirasolo.org/archives/000188.html

  

 

  • Para saber mais sobre Dostoievski:

http://sabotagem.revolt.org/node/91

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fi%C3%B3dor_Mikh%C3%A1ilovitch_Dostoi%C3%A9vski

 


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AS ILUSÕES PERDIDAS - Balzac  (Clássicos da Literatura Mundial) escrito em terça 18 dezembro 2007 18:04

Blog de cantinhodaliteratura :Cantinho Da Literatura 2009, AS ILUSÕES PERDIDAS - Balzac

Honoré de Balzac (1799 –1850) sagrou-se como um dos maiores escritores do século XIX. Suas obras retratavam de maneira realista, e crítica a evolução e as contradições da sociedade francesa da época, seu estilo narrativo valeu a sua obra o título de A comédia humana (conjunto de sua obra, a qual corresponde a noventa e cinco livros, publicados em 1842) em oposição à Divina comédia, de Dante. Dedicado ao seu trabalho de escritor, chegou a escrever dezenove romances no ano de 1932.

Juntamente com Stendhal, consolidou o novo gênero de romance que representa a vida contemporânea e cotidiana mais próxima da realidade.

Ilusões Perdidas é provavelmente seu livro mais longo, tendo sido editado em diversas partes, que não seguiram necessariamente uma ordem cronológica, ao longo de vários anos, sua data é de 1835 a 1843, considerando-se ainda que o livro Esplendores e misérias das cortesãs constitui uma continuação direta deste livro, e por sua vez foi escrito entre 1838 e 1847. Em ambas as obras, porém, aparecem resíduos mesmo da primeira fase clandestina do escritor; um dos poemas atribuídos ao poeta Luciano, por exemplo, foi publicado por Balzac desde 1824. As Ilusões Perdidas pode-se dizer que foi trabalhado por Balzac durante toda a sua carreira literária.

O livro conta a história de Luciano de Rubempré, um talentoso provinciano da França do século XIX, que passa a viver a agitação sedutora, e conseqüentes desilusões da brilhante Paris da época. O livro deixa transparecer também sua insatisfação com a imprensa da época, traçada em críticas ferrenhas nas descrições dos ambientes e costumes dos jornais feitos na história. Um dos momentos mais marcantes ocorre quando um jornalista mais velho e matreiro ensina ao jovem como escrever três diferentes críticas sobre um mesmo livro: - uma crítica negativa, uma neutra e uma positiva. Qual ele vai publicar, dependerá do interesse.

Ilusões Perdidas além do mais extenso, tido também como o “mais balzaquiano dos seus romances”, devido ao desenvolvimento e caracterização de suas personagens, comparadas como faces do próprio Balzac, embora não seja o mais apreciado, nem o mais conhecido. A fama do romancista é assentada em obras menos extensas, como Eugênia Grandet, O Primo Pons, A Prima Bette, O Pai Goriot, e até em obras tão fracas como A Mulher de Trinta Anos.

O relativo desconhecimento da história de Luciano de Rubempré é devido provavelmente à sua publicação em pedaços e conseqüentemente a um não julgamento por parte dos contemporâneos de Balzac; hoje, porém, nada impede-nos de apreciar com o devido valor a epopéia de Luciano e de colocá-la entre as obras mais significativas de Balzac.

A Comédia Humana deu início a uma nova fase da literatura francesa e introduziu Balzac entre os maiores romancistas de todos os tempos.

Abaixo alguns trechos de As Ilusões Perdidas:

 

"Em literatura, meu pequeno, todas as idéias têm direito e avesso. Tudo é bilateral no domínio do pensamento. As idéias sõa binárias. Jano é o mito da crítica e o símbolo do talento. Triangular não há senão Deus!"  

 

"- Você liga então importância às coisas que escreve? - perguntou-lhe Vernou com ar de zombaria. - Mas nós somos negociantes de frases e vivemos de nosso comércio. Quando você quiser fazer uma grande e bela obra, um livro, enfim, poderá colocar nele os seus pensamentos, sua alma, amá-lo, defendê-lo; mas artigos, lidos hoje e amanhã esquecidos, esses não valem a meus olhos senão aquilo que por eles nos pagam" 

 

"Para conseguir encontrar-lhe defeitos, a crítica foi obrigada a inventar teorias com o propósito de distinguir duas literaturas: a que se entrega às idéias e a que recorre às imagens... O romance, que requer sentimentos, estilo e imagens, é a maior das criações modernas. Sucede a comédia, que, entre os costumes modernos, não é mais possível com suas velhas leis... Por isso, é o romance muito superior à discussão fria e matemática, à seca análise do século XVIII. O romance, dirás tu, setenciosamente, é uma epopéia divertida… Conclusão: existe uma única literatura, a dos livros interessantes”  

 

Balzac é um escritor visionário, além de seu tempo, que já percebia naquela época o poder que a impressa exerce sobre as pessoas.

  


Preço (pesquisado em 18/12/2007):


  • Para saber mais sobre Balzac e As Ilusões Perdidas

http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/s00002.htm

http://www.pco.org.br/livraria/menu/resenhas/resenhapco05.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Balzac


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A DIVINA COMÉDIA - Dante Alighieri  (Clássicos da Literatura Mundial) escrito em terça 11 dezembro 2007 20:34

 

 

 

A Divina Comédia é a obra-prima de Dante Alighieri (1265 – 1321) e fundadora da literatura da Língua Italiana sendo considerada o mais completo compêndio sobre a civilização da época medieval tendo sido escrita entre 1310 e 1321, período que marca o final da vida de Dante que se encontrava exilado da sua cidade natal devido desavenças políticas (Dante jamais voltou a pisar em vida em Florença).

A Divina Comédia é um longo poema composto de cem cantos divididos em três partes (Inferno, Purgatório e Paraíso), sendo que cada canto possui uma média de 120 versos cada um, na forma de tercetos (pequeno conjunto de 3 versos) de versos decassílabos (versos com 10 sílabas poéticas) de rima alternada, totalizando 14.233 versos.

Originalmente denominada como Comédia por tratar-se de uma narrativa que se inicia na tristeza (Inferno) e termina com alegria (Paraíso) e por utilizar um estilo simples e uma linguagem popular na época (Italiano), em oposição à tragédia que era normalmente escrita em latim foi mais tarde rebatizada de A Divina Comédia por Giovanni Boccaccio.

O principal personagem dessa grande obra é o próprio autor que se coloca como um cidadão do mundo, representante do homem medieval espremido entre a cultura clássica e a cultura do cristianismo em busca da excelência moral e espiritual e da justiça social.

Dante realiza essa jornada espiritual pelos 3 reinos do além-túmulo guiado inicialmente pelas mãos de Virgílio (autor da epopéia do povo latino, Eneida) que o leva a conhecer o Inferno (34 cantos) e o Purgatório (33 cantos) e em seguida por Beatriz que o acompanha até o Paraíso (33 versos).

Neste poema que envolve todos os personagens do antigo e novo testamento Dante descreve com maestria os cenários que encontra. No Inferno Dante depara-se com pecadores sendo castigados em ordem progressiva de gravidade do pecado cometido; no Purgatório, local de purificação, Dante encontra pessoas que pagam penitências por dividas morais que são, no entanto, saldáveis.

Ao chegar no final do Purgatório Dante é guiado por Beatriz (figura presente em toda obra e que Dante conheceu quando criança sendo tida por ele como símbolo da pureza) até o Paraíso onde repousam pessoas que fizeram a devida penitência de seus pecados, governantes justos, estudiosos da teologia e praticantes do bem, entre outros.

A seguir um trecho extraído do Canto III (Porta do Inferno, onde Dante e Virgílio deparam-se com a ameaçadora inscrição e o Aqueronte, rio por onde Caronte, o Barqueiro Infernal, conduz as almas dos condenado à margem oposta, rumo ao suplício):

 

"Por mim vai-se à cidade que é dolente,
por mim se vai até à eterna dor,
por mim se vai entre a perdida gente.
Moveu justiça o meu supremo autor.

divina potestade fez-me e tais
a suma sapiência, o primo amor.
Antes de mim não houve cousas mais
do que as eternas e eu eterna duro.
Deixai toda a esperança, vós que entrais.
Estas palavras em letreiro escuro
escritas vi por cima de uma porta;
e disse: ''Mestre, o seu sentido é duro''.­
Então ele, avisado, me conforta:
Convém deixar aqui temor secreto;
convém toda a vileza seja morta.
Viemos ao lugar onde o aspecto
verás, to disse, à gente dolorosa
que já perdeu o bem do intelecto.­
E quando a sua mão nas minhas pousa
com ledo rosto, e assim me confortei,
me descobriu tanta secreta cousa.
Suspiros, choros, gritos escutei
ressoando no ar baço de estrelas,
de quanto ao começar também chorei ­
Línguas várias, horríveis falas delas,
e palavras de dor, acentos de ira,
vozes altas e roucas, batedelas
de mãos com mãos, tudo em tumulto gira,
naquela aura sem tempo destingida,
como areal que um turbilhão aspira.
E com a cabeça de erros só cingida,
eu disse: ''Mestre, que ouço? pela dor,
que gente é esta agora assim vencida?'',
E ele a mim: ''É o mísero valor
daquelas almas tristes em seu choro
que foram sem infâmia e sem louvor''.

 

 


Preço (pesquisados em 11/12/07), www.saraiva.com.br

  • de R$ 4,90 (editora Rideel);
  • R$ 105,00 (editora Villa Rica, 2 volumes);
  • uma boa dica é a versão em prosa que facilita a leitura (editora L&PM Pocket) por R$ 12,50.

 


  • Para saber mais sobre a vida de Dante Alighieri:

http://tuttotempolibero.altervista.org/poesia /duecento/dantealighieri.html

http://www.stelle.com.br/pt/index_dante.html

 

  • Para saber mais sobre A Divina Comédia:

http://www.stelle.com.br/pt/index_dante.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Divina_Com%C3%A9dia

 

 

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