Home Data de criação : 07/12/11 Última atualização : 11/10/17 11:17 / 80 Artigos publicados

GRANDE SERTÃO: VEREDAS - Guimarães Rosa  (Literatura Brasileira) escrito em domingo 16 dezembro 2007 22:51

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Escrito em 1956, Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa (1908 – 1967) é um dos livros de maior importância dentro da literatura brasileira.

O livro escrito em oralidade (narrador é o próprio personagem) é repleto de aforismos, utilizando uma linguagem poético-filosófica. A trama ocorre no sertão mineiro (norte) , sul da Bahia e Goiás . No entanto, por se tratar de uma narrativa densa , repleta de reflexões e divagações , ganha um caráter universal - "o sertão é mundo". O livro narra as memórias que Riobaldo (personagem principal, ex-jagunço, que assume a liderança do grupo após a morte do chefe Joca Ramiro) conta a um doutor que nunca aparece, através de seu caráter insólito e ambíguo; na primeira parte do livro, Riobaldo faz um relato "caótico" e desconexo de vários fatos sempre expondo suas inquietações filosóficas enquanto que na segunda parte (a partir da página 80) as idéias de Riobaldo são mais organizadas. A ambigüidade e o caráter ambivalente de Riobaldo, assim como o de outros personagens, dominam o romance. Abaixo um trecho de Grande Sertão: Veredas, em que Riobaldo embora deseje Diadorim (Diadorim é Reinaldo, filho do grande chefe Joca Ramiro, traído por Hermógenes), não admite o homossexualismo vivendo em conflito interior entre a paixão e a repressão de seus sentimentos: 

 

“Diadorim, duro sério, tão bonito, no relume das brasas. Quase que a gente não abria a boca; mas era um delem que me tirava para ele – o irremediável extenso da vida.

Pois minha vida em amizade com Diadorim correu por muito tempo desse jeito. Foi melhorando, foi. Ele gostava, destinado, de mim. E eu – como é que posso explicar ao senhor o poder de amor que eu criei? Minha vida o diga. Se amor? Era aquele latifúndio. Eu ia com ele até o rio Jordão... Diadorim tomou conta de mim.

Se ele estava com as mangas arregaçadas, eu olhava para os braços dele – tão bonitos, braços alvos, em bem feitos...

De um aceso, de mim eu sabia: o que compunha minha opinião era que eu, às loucas, gostasse de Diadorim, e também, recesso dum modo, a raiva incerta, por ponto de não ser possível dele gostar como queria, no honrado e no final. Ouvido meu retorcia a voz dele. Que mesmo no fim de tanta exaltação, meu amor inchou, de empapar todas as folhagens, e eu ambicionando de pegar em Diadorim, carregar Diadorim nos meus braços, beijar, as muitas demais vezes, sempre.

- Na véspera da batalha final entre os “riobaldos” e os “hermógenes”, o protagonista-narrador deixa escapar uma declaração explícita de amor por Diadorim: “Meu bem, estivesse dia claro, e eu pudesse espiar a cor de seus olhos...” Assustado, Diadorim responde: “O senhor não fala a sério!” E o assunto termina com Riobaldo se recompondo: “Não te ofendo, Mano. Sei que tu é corajoso...”

Fixa-se assim o destino trágico de Maria Deodorina que poderia revelar, pouco horas antes de morrer no duelo com Hermógenes, sua condição feminina e, em decorrência disso, buscar o amor de Riobaldo. Contudo, a necessidade de vingança, o ódio que nutre pelo “judas” e a imposição de que fora vítima – ser mulher “que nasceu para o dever de guerrear e nunca ter medo, e mais para muito amar, sem gozo de amor...” – arrastam-na para a destruição.

Ao ver o corpo de Diadorim – ainda sem a revelação de sua nudez –, Riobaldo recusa aceitar a morte do ser amado. Se a realidade é apenas o que pode ser nomeado pelas palavras, ele emudecerá para sempre: “Não escrevo, não falo – para assim não ser: não foi, não é, não fica sendo! Diadorim.”

Mas, logo em seguida, Riobaldo percebe estarrecido que Diadorim “era o corpo de uma mulher, moça perfeita...” Então, numa das cenas de amor mais comoventes da ficção ocidental, ele toca castamente as carnes ensangüentadas da mulher-guerreira:

Eu estendi as mãos para tocar naquele corpo, e estremeci, retirando as mãos para trás, incendiável; abaixei meus olhos. E a Mulher estendeu a toalha, recobrindo as partes. Mas aqueles olhos eu beijei, e as faces, a boca. Adivinhava os cabelos. Cabelos que cortou com tesoura de prata.... Cabelos que só, no só ser, haviam de dar para baixo da cintura... E eu não sabia por que nome chamar; eu exclamei me doendo:

- “Meu amor!...” "

 

 

Adaptado por Walter George Durst para a Rede Globo tornou-se uma minissérie em 1985, dirigida por Walter Avancini com Tony Ramos no papel de Riobaldo e Bruna Lombari no papel de Diadorim.  

 

 

Preço (pesquisado em 16/12/2007, em www.livrariasaraiva.com.br): 

  • R$ 18,90 (coleção biblioteca do estudante, editora nova fronteira); 
  • R$ 50,10 (editora nova fronteira).

 


  • Para saber mais sobre Grande Sertão: Veredas:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Diadorim_e_Riobaldo

http://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_Sert%C3%A3o:_Veredas

http://vbookstore.uol.com.br/resumos/grandesertao.shtml

http://educaterra.terra.com.br/literatura/livrodomes/2004/09/24/003.htm

http://educaterra.terra.com.br/literatura/livrodomes/2004/09/24/002.htm

 

 

  • Nota: O vídeo presente neste artigo traz as cenas finais da minissérie Grande Sertão - Veredas, exibida pela Rede Globo em 1985.

 

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1 comentário(s)

  • Izanete mailto

    Seg 09 Abr 2012 19:54

    Um livro único,maravilhoso,genial.


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