Home Data de criação : 07/12/11 Última atualização : 11/10/17 11:17 / 80 Artigos publicados

TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA - Lima Barreto  (Literatura Brasileira) escrito em quarta 18 fevereiro 2009 20:28

lima_barreto

Blog de cantinhodaliteratura :Cantinho Da Literatura 2009, TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA - Lima Barreto

 

 

 

Publicado inicialmente em folhetins no ano de 1911, Triste fim de Policarpo Quaresma é um romance de Afonso Henrique de Lima Barreto (1881 – 1922) do período do pré-modernismo brasileiro; publicado em livro em 1915, a obra apresenta como tema principal o nacionalismo, mais especificamente fatos políticos e históricos do governo de Floriano Peixoto, através da narração da história de um nacionalista sincero, ingênuo e idealista, mas, que, porém, é azarado (Policarpo Quaresma).

O livro contém três partes:

·          A primeira parte narra o retrato da personagem, e desenrola-se no Rio de Janeiro no período pós- proclamação da República; é a parte onde é apresentada a maioria dos personagens. Nesta fase Policarpo Quaresma conhece aquele que será o seu grande amigo no decorrer da obra, Ricardo Coração dos Outros, um seresteiro contratado para ensinar-lhe violão.

·          Na segunda descreve a situação da agricultura, e é onde Policarpo Quaresma, então já major aposentado, muda-se para um sítio em uma cidade fictícia e enfrenta várias pragas na tentativa de incentivar a agricultura e o crescimento econômico do país;

·         Na terceira conta a Revolta da Armada, sen do a parte mais tensa do livro; neste período Policarpo Quaresma retorna ao Rio de Janeiro, e é incorporado ao batalhão ficando encarregado de um pelotão de artilharia improvisado com “voluntários forçados” como seu amigo Ricardo Coração dos Outros, com o dever de rechaçar investidas dos marinheiros às praias cariocas. No final da Revolta Policarpo encontra-se totalmente desiludido em relação ao país e passa a cuidar um grupo de um grupo de prisioneiros; após presenciar uma escolha arbitrária de prisioneiros a serem executado, Policarpo escreve uma carta ao então presidente, Floriano Peixoto, denunciando a situação e com isto é acusado injustamente de traição e acaba preso. Seu amigo Ricardo Coração dos Outros tenta ajudá-lo procurando os amigos e conhecidos de Policarpo que, no entanto, recusam-se a contribuir por medo ou ganância; o livro termina em aberto, deixando em dúvida a execução ou não de Policarpo.

Abaixo alguns trechos extraídos do livro:

 

Como de hábito, Policarpo Quaresma, mais conhecido por Major Quaresma, bateu em casa às quatro e quinze da tarde. Havia mais de vinte anos que isso acontecia. Saindo do Arsenal de Guerra, onde era subsecretário, bongava* pelas confeitarias algumas frutas, comprava um queijo, às vezes, e sempre o pão da padaria francesa.

Não gastava nesses passos nem mesmo uma hora, de forma que, as três e quarenta, por ai assim, tomava o bonde, sem erro de um minuto, ia pisar a soleira* da porta de sua casa, numa rua afastada de São Januário, bem exatamente as quatro e quinze, como se fosse uma aparição de um astro, um eclipse, enfim um fenômeno matematicamente determinado, previsto e predito...(trecho extraído da primeira parte, capítulo I – A lição de violão)

 

 

Quaresma vivia assim, sentindo que a campanha que lhe tinham movido, embora tendo deixado de ser pública, lavrava* ocultamente. Havia no seu espírito e no seu caráter uma vontade de acabá-la de vez, mas como? Se não o acusavam, se não articulavam nada contra ele diretamente? Era um combate com sombras, com aparências, que seria ridículo aceitar.

De resto, a situação geral que o cercava, aquela miséria da população campestre que nunca suspeitara, aquele abandono de terras à improdutividade, encaminhavam sua alma de patriota meditativo a preocupações angustiosas.

Via o major com tristeza não existir naquela gente humilde sentimento de solidariedade, de apoio mútuo. Não se associavam para cousa alguma e viviam separados, isolados, em famílias geralmente irregulares, sem sentir a necessidade de união para o trabalho da terra. Entretanto, tinham bem perto o exemplo dos portugueses que, unidos aos seis e mais, conseguiam em sociedade cultivar a arado roças de certa importância, lucrar e viver. Mesmo o velho costume do “mutirão” já se havia apagado.

Como remediar isso?

Quaresma desesperava...” (trecho extraído da segunda parte, capítulo IV – “Peço energia, sigo já”)

 

 

Como lhe parecia ilógico com ele mesmo estar ali metido naquele estreito calabouço. Pois ele, o Quaresma plácido, o Quaresma de tão profundos pensamentos patrióticos, merecia aquele triste fim? De que maneira sorrateira o Destino o arrastara até ali, sem que ele pudesse pressentir o seu extravagante propósito, tão aparentemente sem relação com o resto de sua vida? Teria sido ele com os seus atos passados, com as suas ações encadeadas no tempo, que fizera com que aquele velho Deus docilmente o trouxesse até a execução de tal desígnio? Ou teriam sido os fatos externos, que venceram a ele, Quaresma, e fizeram-no escravo da sentença da onipotente divindade? Ele não sabia, e quando teimava em pensar, as duas cousas se baralhavam, se emaranhavam e a conclusão certa e exata lhe fugia...

...Por que estava preso? Ao certo não sabia; o oficial que o conduzira nada lhe quisera dizer; e, desde que saíra da ilha das Enxadas para a das Cobras, não trocara palavras com ninguém, não vira nenhum conhecido no caminho, nem o próprio Ricardo que lhe podia, com um olhar, com um gesto, trazer sossego às suas dúvidas. Entretanto, ele atribuía a prisão à carta que escrevera ao presidente, protestando contra a cena que presenciara na véspera...

...Como acabarei? Como acabarei? E a pergunta lhe vinha, no meio da revoada de pensamentos que aquela angústia provocava pensar. Não havia base para qualquer hipótese. Era de conduta tão irregular e incerta que o Governo que tudo ele podia esperar; a liberdade ou a morte, mais esta que aquela...

...Iria morrer, quem sabe se naquela noite mesmo? E que tinha ele feito de sua vida? Nada. Levara toda ela atrás da miragem de estudar a pátria, por amá-la e querê-la muito, no intuito de contribuir para a sua felicidade e prosperidade. Gastara a sua mocidade nisso, a sua virilidade também; e, agora que estava na velhice, como ela o recompensava, como ela o premiava, como ela o condecorava? Matando-o. E o que não deixara de ver, de gozar, de fruir, na sua vida? Tudo...” (trecho extraído da terceira parte, capítulo V – A afilhada)

 

 

Preço (visualizado em 18/02/2009)

·       De R$ 9,90 à R$ 20,90,  www.livrariasaraiva.com.br;

·       De R$ 3,00 à R$ 33,90, www.buscape.com.br.

 Para saber mais sobre Triste fim de Policarpo Quaresma:


http://pt.wikipedia.org/wiki/Triste_Fim_de_Policarpo_Quaresma

http://www.coladaweb.com/resumos/policarpo.htm

http://somdoroque.blogspot.com/2008/01/triste-fim-de-policarpo-quaresma-lima.html

 

  • Para ler o resumo do livro:

http://www.mundovestibular.com.br/articles/355/1/TRISTE-FIM-DE-POLICARPO-QUARESMA---Lima-Barreto-Resumo/Paacutegina1.html

http://resumos.netsaber.com.br/ver_resumo_c_3001.html

  

 

  •  Para saber mais sobre Lima Barreto:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Afonso_Henriques_de_Lima_Barreto

http://www.mundocultural.com.br/index.asp?url=http://www.mundocultural.com.br/literatura1/pre-modernismo/lbarreto.htm

  • Notas:

*Bongava - buscava.

*Soleira – parte do piso sob a porta de entrada das casas.

*Lavrava – corroia.

 

Compartilhar
1 Fan

Faça um comentário!

(Opcional)

(Opcional)

error

Importante: comentários racistas, insultas, etc. são proibidos nesse site.
Caso um usuário preste queixa, usaremos o seu endereço IP (107.20.131.154) para se identificar     

Nenhum comentário
TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA - Lima Barreto


Fechar a barra

Precisa estar conectado para enviar uma mensagem para cantinhodaliteratura

Precisa estar conectado para adicionar cantinhodaliteratura para os seus amigos

 
Criar um blog