"Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundos, mas com tamanha intensidade que se petrifica e nenhuma força consegue destruir."
Carlos Drummond de Andrade
Escrito pelo filósofo alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844- 1900) em 1878, Humano, demasiado humano é uma genealogia do pensamento moderno, da razão moderna, e marca o rompimento de Nietzsche com o romantismo de Richard Wagner e o pessimismo de Arthur Schopenhauer.
É um livro para espíritos livres em que o autor analisa os modismos de sua época procurando estabelecer uma ligação entre o passado bárbaro da humanidade e o estado em que se encontra o pensamento filosófico, científico e religioso do século XIX, procurando hipóteses de um progresso da humanidade pós-moderna.
Nesta obra o autor desenvolve seu pensamento filosófico abordando temas como metafísica, moral, religião, arte, literatura, amor, política e relações sociais de modo claro e sereno, refletindo sobre as coisas primeiras e derradeiras, analisando a história dos sentimentos morais que atravessaram os séculos da história humana, criticando e recriminando a vida religiosa do homem, descrevendo os sentimentos e a vivência dos artistas e dos escritores, examinando o homem e suas atitudes e pensamentos em sociedade, e descrevendo a história e a função do Estado.
Repleto de aforismos Humano, demasiado Humano conta com escrito em nove capítulos (638 subcapítulos) mais prefácio e poslúdio (Entre Amigos); segundo Ciro Mioranza “é um livro de história, sem ser história; é um livro de filosofia, sem ser preferencialmente filosofia; é um livro de vida, vida espiritual, vida intelectual, vida racional, vida presente, vida humana”.
Nietzsche era um grande pensador que vivia em conflito consigo mesmo e com a sociedade, e sem dúvida Humano, demasiado Humano é uma obra que merece uma leitura atenciosa e grande reflexão.
Abaixo se tem um trecho extraído de Humano, demasiado Humano (Capítulo II – Para a história dos sentimentos morais; artigo 89 – Vaidade):
“Nós nos importamos com a boa qualidade dos homens, em primeiro lugar porque ela nos é útil, em seguida porque queremos dar-lhes alegria (os filhos aos pais, os alunos aos professores e em geral as pessoas de benévolas a todas as outras pessoas). É somente quanto a boa opinião dos homens é importante para alguém, abstraindo a vantagem ou seu desejo de agradar que falamos de vaidade.
Neste caso, o homem quer dar prazer a si próprio, mas à custa dos outros homens, seja levando-os a ter uma opinião falsa a respeito dele, seja aspirando a um grau de “boa opinião”, em que esta tem de se tornar penosa para todos os outros (provocando inveja). O indivíduo quer geralmente, por meio da opinião dos outros, certificar e fortalecer diante de seus olhos a opinião que tem de si; mas o poderoso respeito pela autoridade – respeito tão antigo quanto o homem – leva muita gente também a apoiar na autoridade sua própria confiança em si, portanto a só aceitar de mão de outrem: acreditam mais no critério dos outros do que no próprio. O interesse por si próprio, o desejo de se satisfazer alcançam no vaidoso um tal nível que ele induz os outros a uma falsa estima de si falsa, demasiado elevada, e depois se fia, não obstante, na autoridade dos outros: desse modo provoca o erro e, contudo, lhe dá crédito. É preciso, portanto, admitir que os vaidosos não querem agradar tanto a outrem quanto a si próprios e que chegam ao ponto de com isso descurar seu proveito; pois, muitas vezes importa-lhes suscitar em seus semelhantes disposições desfavoráveis, hostis, invejosas, em decorrência desvantajosas para eles, apenas para terem satisfação de seu eu, o contentamento de si.”
Preço (pesquisado em 12/12/07):
Editora Companhia de Bolso: de R$ 15,00 a R$ 21,00, www.buscape.com.br; Editora Escala: R$ 7,00, www.mercadolivre.com.br, acréscimo de R$ 4,00 referente ao valor do frete, para o estado de São Paulo.
http://www.mundodosfilosofos.com.br/nietzsche.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Friedrich_Nietzsche
http://educaterra.terra.com.br/voltaire/artigos/nietzsche_pensamento.htm
A Divina Comédia é a obra-prima de Dante Alighieri (1265 – 1321) e fundadora da literatura da Língua Italiana sendo considerada o mais completo compêndio sobre a civilização da época medieval tendo sido escrita entre 1310 e 1321, período que marca o final da vida de Dante que se encontrava exilado da sua cidade natal devido desavenças políticas (Dante jamais voltou a pisar em vida em Florença).
A Divina Comédia é um longo poema composto de cem cantos divididos em três partes (Inferno, Purgatório e Paraíso), sendo que cada canto possui uma média de 120 versos cada um, na forma de tercetos (pequeno conjunto de 3 versos) de versos decassílabos (versos com 10 sílabas poéticas) de rima alternada, totalizando 14.233 versos.
Originalmente denominada como Comédia por tratar-se de uma narrativa que se inicia na tristeza (Inferno) e termina com alegria (Paraíso) e por utilizar um estilo simples e uma linguagem popular na época (Italiano), em oposição à tragédia que era normalmente escrita em latim foi mais tarde rebatizada de A Divina Comédia por Giovanni Boccaccio.
O principal personagem dessa grande obra é o próprio autor que se coloca como um cidadão do mundo, representante do homem medieval espremido entre a cultura clássica e a cultura do cristianismo em busca da excelência moral e espiritual e da justiça social.
Dante realiza essa jornada espiritual pelos 3 reinos do além-túmulo guiado inicialmente pelas mãos de Virgílio (autor da epopéia do povo latino, Eneida) que o leva a conhecer o Inferno (34 cantos) e o Purgatório (33 cantos) e em seguida por Beatriz que o acompanha até o Paraíso (33 versos).
Neste poema que envolve todos os personagens do antigo e novo testamento Dante descreve com maestria os cenários que encontra. No Inferno Dante depara-se com pecadores sendo castigados em ordem progressiva de gravidade do pecado cometido; no Purgatório, local de purificação, Dante encontra pessoas que pagam penitências por dividas morais que são, no entanto, saldáveis.
Ao chegar no final do Purgatório Dante é guiado por Beatriz (figura presente em toda obra e que Dante conheceu quando criança sendo tida por ele como símbolo da pureza) até o Paraíso onde repousam pessoas que fizeram a devida penitência de seus pecados, governantes justos, estudiosos da teologia e praticantes do bem, entre outros.
A seguir um trecho extraído do Canto III (Porta do Inferno, onde Dante e Virgílio deparam-se com a ameaçadora inscrição e o Aqueronte, rio por onde Caronte, o Barqueiro Infernal, conduz as almas dos condenado à margem oposta, rumo ao suplício):
"Por mim vai-se à cidade que é dolente,
por mim se vai até à eterna dor,
por mim se vai entre a perdida gente.
Moveu justiça o meu supremo autor.
divina potestade fez-me e tais
a suma sapiência, o primo amor.
Antes de mim não houve cousas mais
do que as eternas e eu eterna duro.
Deixai toda a esperança, vós que entrais.
Estas palavras em letreiro escuro
escritas vi por cima de uma porta;
e disse: ''Mestre, o seu sentido é duro''.
Então ele, avisado, me conforta:
Convém deixar aqui temor secreto;
convém toda a vileza seja morta.
Viemos ao lugar onde o aspecto
verás, to disse, à gente dolorosa
que já perdeu o bem do intelecto.
E quando a sua mão nas minhas pousa
com ledo rosto, e assim me confortei,
me descobriu tanta secreta cousa.
Suspiros, choros, gritos escutei
ressoando no ar baço de estrelas,
de quanto ao começar também chorei
Línguas várias, horríveis falas delas,
e palavras de dor, acentos de ira,
vozes altas e roucas, batedelas
de mãos com mãos, tudo em tumulto gira,
naquela aura sem tempo destingida,
como areal que um turbilhão aspira.
E com a cabeça de erros só cingida,
eu disse: ''Mestre, que ouço? pela dor,
que gente é esta agora assim vencida?'',
E ele a mim: ''É o mísero valor
daquelas almas tristes em seu choro
que foram sem infâmia e sem louvor''.
Preço (pesquisados em 11/12/07), www.saraiva.com.br:
de R$ 4,90 (editora Rideel); R$ 105,00 (editora Villa Rica, 2 volumes); uma boa dica é a versão em prosa que facilita a leitura (editora L&PM Pocket) por R$ 12,50.
http://tuttotempolibero.altervista.org/poesia /duecento/dantealighieri.html
http://www.stelle.com.br/pt/index_dante.html
http://www.stelle.com.br/pt/index_dante.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Divina_Com%C3%A9dia