Publicado inicialmente em folhetins no ano de 1911,
Triste fim de Policarpo
Quaresma é um romance de Afonso Henrique de Lima Barreto (1881 –
1922) do período do pré-modernismo brasileiro; publicado em livro
em 1915, a obra apresenta como tema principal o nacionalismo, mais
especificamente fatos políticos e históricos do governo de Floriano
Peixoto, através da narração da história de um nacionalista
sincero, ingênuo e idealista, mas, que, porém, é azarado (Policarpo
Quaresma).
O
livro contém três partes:
· A
primeira parte narra o retrato da personagem, e desenrola-se no Rio
de Janeiro no período pós- proclamação da República; é a parte onde
é apresentada a maioria dos personagens. Nesta fase Policarpo
Quaresma conhece aquele que será o seu grande amigo no decorrer da
obra, Ricardo Coração dos Outros, um seresteiro contratado para
ensinar-lhe violão.
· Na
segunda descreve a situação da agricultura, e é onde Policarpo
Quaresma, então já major aposentado, muda-se para um sítio em uma
cidade fictícia e enfrenta várias pragas na tentativa de incentivar
a agricultura e o crescimento econômico do
país;
· Na
terceira conta a Revolta da Armada, sen do a parte mais tensa do
livro; neste período Policarpo Quaresma retorna ao Rio de Janeiro,
e é incorporado ao batalhão ficando encarregado de um pelotão de
artilharia improvisado com “voluntários forçados” como
seu amigo Ricardo Coração dos Outros, com o dever de rechaçar
investidas dos marinheiros às praias cariocas. No final da Revolta
Policarpo encontra-se totalmente desiludido em relação ao país e
passa a cuidar um grupo de um grupo de prisioneiros; após
presenciar uma escolha arbitrária de prisioneiros a serem
executado, Policarpo escreve uma carta ao então presidente,
Floriano Peixoto, denunciando a situação e com isto é acusado
injustamente de traição e acaba preso. Seu amigo Ricardo Coração
dos Outros tenta ajudá-lo procurando os amigos e conhecidos de
Policarpo que, no entanto, recusam-se a contribuir por medo ou
ganância; o livro termina em aberto, deixando em dúvida a execução
ou não de Policarpo.
Abaixo alguns trechos extraídos do
livro:
“Como de
hábito, Policarpo Quaresma, mais conhecido por Major Quaresma,
bateu em casa às quatro e quinze da tarde. Havia mais de vinte anos
que isso acontecia. Saindo do Arsenal de Guerra, onde era
subsecretário, bongava* pelas confeitarias algumas frutas, comprava
um queijo, às vezes, e sempre o pão da padaria
francesa.
Não gastava nesses passos nem mesmo uma hora, de forma que, as três
e quarenta, por ai assim, tomava o bonde, sem erro de um minuto, ia
pisar a soleira* da porta de sua casa, numa rua afastada de São
Januário, bem exatamente as quatro e quinze, como se fosse uma
aparição de um astro, um eclipse, enfim um fenômeno matematicamente
determinado, previsto e predito...”
(trecho extraído da primeira parte, capítulo
I – A lição de violão)
“Quaresma
vivia assim, sentindo que a campanha que lhe tinham movido, embora
tendo deixado de ser pública, lavrava* ocultamente. Havia no seu
espírito e no seu caráter uma vontade de acabá-la de vez, mas como?
Se não o acusavam, se não articulavam nada contra ele diretamente?
Era um combate com sombras, com aparências, que seria ridículo
aceitar.
De
resto, a situação geral que o cercava, aquela miséria da população
campestre que nunca suspeitara, aquele abandono de terras à
improdutividade, encaminhavam sua alma de patriota meditativo a
preocupações angustiosas.
Via o major com tristeza não existir naquela gente
humilde sentimento de solidariedade, de apoio mútuo. Não se
associavam para cousa alguma e viviam separados, isolados, em
famílias geralmente irregulares, sem sentir a necessidade de união
para o trabalho da terra. Entretanto, tinham bem perto o exemplo
dos portugueses que, unidos aos seis e mais, conseguiam em
sociedade cultivar a arado roças de certa importância, lucrar e
viver. Mesmo o velho costume do “mutirão” já se havia
apagado.
Como remediar isso?
Quaresma desesperava...”
(trecho extraído da segunda parte, capítulo IV – “Peço
energia, sigo já”)
“Como lhe
parecia ilógico com ele mesmo estar ali metido naquele estreito
calabouço. Pois ele, o Quaresma plácido, o Quaresma de tão
profundos pensamentos patrióticos, merecia aquele triste fim? De
que maneira sorrateira o Destino o arrastara até ali, sem que ele
pudesse pressentir o seu extravagante propósito, tão aparentemente
sem relação com o resto de sua vida? Teria sido ele com os seus
atos passados, com as suas ações encadeadas no tempo, que fizera
com que aquele velho Deus docilmente o trouxesse até a execução de
tal desígnio? Ou teriam sido os fatos externos, que venceram a ele,
Quaresma, e fizeram-no escravo da sentença da onipotente divindade?
Ele não sabia, e quando teimava em pensar, as duas cousas se
baralhavam, se emaranhavam e a conclusão certa e exata lhe
fugia...
...Por que estava preso? Ao certo não sabia; o oficial
que o conduzira nada lhe quisera dizer; e, desde que saíra da ilha
das Enxadas para a das Cobras, não trocara palavras com ninguém,
não vira nenhum conhecido no caminho, nem o próprio Ricardo que lhe
podia, com um olhar, com um gesto, trazer sossego às suas dúvidas.
Entretanto, ele atribuía a prisão à carta que escrevera ao
presidente, protestando contra a cena que presenciara na
véspera...
...Como acabarei? Como acabarei? E a pergunta lhe vinha,
no meio da revoada de pensamentos que aquela angústia provocava
pensar. Não havia base para qualquer hipótese. Era de conduta tão
irregular e incerta que o Governo que tudo ele podia esperar; a
liberdade ou a morte, mais esta que
aquela...
...Iria morrer, quem sabe se naquela noite mesmo? E que tinha ele
feito de sua vida? Nada. Levara toda ela atrás da miragem de
estudar a pátria, por amá-la e querê-la muito, no intuito de
contribuir para a sua felicidade e prosperidade. Gastara a sua
mocidade nisso, a sua virilidade também; e, agora que estava na
velhice, como ela o recompensava, como ela o premiava, como ela o
condecorava? Matando-o. E o que não deixara de ver, de gozar, de
fruir, na sua vida? Tudo...”
(trecho extraído da terceira parte, capítulo
V – A afilhada)
Preço
(visualizado em 18/02/2009)
· De
R$ 9,90 à R$ 20,90, www.livrariasaraiva.com.br;
· De
R$ 3,00 à R$ 33,90, www.buscape.com.br.
Para
saber mais sobre Triste fim de Policarpo
Quaresma:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Triste_Fim_de_Policarpo_Quaresma
http://www.coladaweb.com/resumos/policarpo.htm
http://somdoroque.blogspot.com/2008/01/triste-fim-de-policarpo-quaresma-lima.html
http://www.mundovestibular.com.br/articles/355/1/TRISTE-FIM-DE-POLICARPO-QUARESMA---Lima-Barreto-Resumo/Paacutegina1.html
http://resumos.netsaber.com.br/ver_resumo_c_3001.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Afonso_Henriques_de_Lima_Barreto
http://www.mundocultural.com.br/index.asp?url=http://www.mundocultural.com.br/literatura1/pre-modernismo/lbarreto.htm
*Bongava -
buscava.
*Soleira –
parte do piso sob a porta de entrada das
casas.
*Lavrava –
corroia.